Grupo Gurdjieff São Paulo
Artigo Tradicional

O Portador da Alegria

(extraído de The Constant Companion, Eknath Easwaran, 1987,
The Blue Mountain Center of Meditation)

Anandi

Esse nome, sem dúvida, é para ser conhecido com apreço. Todo mundo quer alegria. No entanto, apesar de a Madison Avenue* prometê-la através de carros, roupas, bebidas, drogas e até sabão, alegria é coisa rara. Não é júbilo nem euforia, mas um estado sublime que vai além do prazer e da dor, no qual a mente está tranqüila.

Se esse estado parece monótono, é simplesmente porque não o experimentamos. Quando a mente está tranqüila, não há nenhum anseio egoísta de ser, ter, ou desfrutar algo que nos falte. Estamos em paz, não necessitando de nada, cheios de amor e do desejo de doar. Quando atingimos esse estado na meditação, quando conseguimos lidar com êxito com os nossos problemas pessoais e dominar alguns dos nossos fortes anseios de prazer e auto-engrandecimento, começamos a experimentar a indescritível alegria que é nosso legado enquanto seres humanos.

Na tradição de Krishna, há um poema religioso apaixonado chamado Gita Govinda, “A canção de Krishna”, no qual todo o simbolismo da atividade sexual é usado para levar à alegria que ocorre quando a personalidade isolada se perde no divino. Jayadeva, o grande poeta de Bengala, tenta passar sua devoção através de um simbolismo que possa ser compreendido por nós, seres humanos, que julgamos ser o sexo o mais agudo prazer físico que podemos desfrutar.

Os místicos não negam que o sexo é uma experiência intensamente prazerosa. A questão que colocam é só esta: “Quanto tempo dura?” Tão aguda, tão agradável e, no entanto, tão breve - apenas alguns momentos de sensação. Desejamos uma alegria que não acabe nunca. Somente quando os nossos desejos tiverem sido unificados, quando todos os nossos anseios ardentes forem consolidados em conjunto, poderemos alcançar o estado de alegria permanente denominado ananda.
*N. T. - Nome de uma avenida localizada em Nova York.