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Grupo Gurdjieff São Paulo
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Artigo Tradicional
O Diário da Mãe (Mirra Alfassa)
Sem data, 1957
Os Sutras da Mãe
1) Não ambicione nada, sobretudo nunca deseje nada, mas seja a cada instante o máximo do que pode ser.
2) Quanto ao seu lugar na manifestação universal, somente o Supremo o designará.
3) Foi o Senhor Supremo quem decretou de maneira incontestável seu lugar no concerto universal, mas, qualquer que ele seja, você tem o mesmo direito que todos, de transpor os picos supremos até a realização supramental.
4) O que você é na Verdade de seu Ser foi decretado de maneira incontestável, e nada nem ninguém pode impedi-lo de Ser; mas o caminho que seguirá para alcançá-lo foi deixado à sua livre escolha.
5) No caminho da evolução ascendente, cada um está livre para escolher a direção que tomará: a subida rápida e íngreme em direção aos picos da Verdade, em direção à realização suprema, ou, voltando as costas aos cimos, a descida fácil para os meandros intermináveis das encarnações sem fim.
6) No decorrer do tempo e mesmo desta vida, você pode fazer sua escolha de uma vez por todas, irrevogavelmente, e assim só terá de confirmá-la a cada nova oportunidade; ou então, se não tomou desde o princípio a decisão definitiva, será preciso a cada instante escolher novamente entre a mentira e a verdade.
7) Mesmo que não tenha tomado desde o princípio a decisão irrevogável, se você tem a felicidade de viver um desses momentos singulares da história universal em que a Graça está presente, encarnada sobre a terra, Ela tornará a lhe dar, em certas ocasiões excepcionais, a possibilidade de refazer a escolha definitiva que o conduzirá diretamente ao alvo.
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Data: 21/12/2007 |
Outros mundos e outros corpos
(Trecho da obra de Satprem (1) intitulada O materialismo divino)
Passamos de vida em vida, de experiência em experiência – por diferentes modos de tocar a Matéria – até que nosso corpo de experiência tenha crescido nas dimensões do Universo.
Pois é esse, em princípio, todo o sentido da evolução: desenvolver em nós mesmos o corpo da Shakti (2).
Acreditamos fazer guerras, revoluções e cruzadas; criar filosofias, o socialismo, o capitalismo e constituir impérios do Helesponto a Bactriane; acreditamos construir máquinas, fazer literatura, fazer o bem e o mal, criar netos, porém, o tempo todo, é a Shakti que se desenvolve em nós, através do bem ou do mal, do socialismo ou do despotismo e, até mesmo, através de nossas máquinas ou de nossas tolices. O tempo todo é o império da Shakti que determinamos, a mesma Shakti sob diversos nomes e rostos, sob epidermes negras ou brancas, sob nossos pecados ou virtudes, tanto faz, em nossas derrotas ou vitórias. Uma mesma pequena parcela do grande Meio que cultivamos, acumulamos, colocamos em nossos celeiros pensantes ou sensíveis, como as abelhas de um grande Favo, de grão em grão, dia após dia, por meio de dores e mais dores e de vidas incontáveis com uma roupagem ou outra, com uma filosofia ou sem nenhuma filosofia, por meio de religiões e de evasivas em todas as línguas; individualizamos a grande Shakti, banhamo-nos nela como girinos na torrente, quer nos tornemos pterodátilos ou musaranhos, matemáticos ou indigentes – ou nos tornemos o quê?
Há seres que são apenas seu corpo e sua função, que acumulam apenas pequenas parcelas da Energia necessária para fazer funcionar seu mecanismo, e quando ele se desfaz, sobra apenas o que colocaram dentro dele: eles “saem” no nada porque são apenas o combustível universal, e todas as filosofias que puderam acumular dentro de si não fazem diferença alguma se elas não constituíram uma substância viva, se não se tornaram um meio de apanhar, na armadilha, algumas gotas da grande Shakti. E quando eles dormem também, aonde vão? Fora de seu corpo, está a noite tão negra quanto a de dentro porque só cultivaram materiais destinados à sua boa aparência e à sua função – vai-se na direção daquilo que se é, tanto em um caso como no outro, tanto no sono como na morte. E, se não se é nada mais que uma geléia pensante, não se vai a lugar algum, a não ser à refundição universal. Para se ir a algum lugar, é necessário ter um meio de transporte. Para “sair” de seu corpo, é preciso que haja alguém que sai – é evidente. E, quem sai?
(1) Satprem foi aluno da Mãe e de Sri Aurobindo.
(2) Shakti é a substância-mãe do Universo, a anima mundi. |
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Data: 16/9/2007 |
O Infinito Criador
A imensidão do Universo
Se tentarmos conceber a quantidade de estrelas no Universo, poderemos vislumbrar a sua imensidão. Para tanto, visualize um único grão de areia. Tente imaginar quantos existem numa praia. Agora amplie a sua imaginação englobando todas as praias e desertos da Terra. A quantidade de grãos de areia torna-se inconcebível, não é? Mas pasme! segundo dados recentes da ciência, existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia em todos os desertos e praias do mundo!!
De acordo com um grupo de cientistas da Austrália, existem pelo menos 70 septiliões (70.000.000.000.000.000.000.000.000) de estrelas no Universo – cerca de dez vezes o número estimado de grãos de areia na Terra! E este não é o número total de estrelas do Universo, pois os cálculos são imprecisos, já que só incluem as estrelas ao alcance dos equipamentos modernos, de modo que o número de estrelas pode ser muito superior.
A afirmação da ciência moderna nos dá uma dimensão ainda maior do questionamento que Gurdjieff nos faz sobre a busca interior:
“Saia à noite, sob o vasto céu estrelado, e levante os olhos para esses milhões de mundos acima de sua cabeça. Em cada um deles provavelmente formigam bilhões de seres semelhantes a você, talvez de constituição superior. Olhe a Via-láctea. A Terra não pode sequer ser chamada de grão de areia nessa infinidade. Ela se dissolve, desaparece e, com ela, você também. Onde está você? Quem é você? Que quer você? Aonde quer ir? O que você empreende não será pura loucura? Diante de todos esses mundos, interrogue-se sobre suas metas e suas esperanças, suas intenções e seus meios de realizá-las, sobre o que pode ser exigido de você, e pergunte a si mesmo até que ponto está preparado para responder a essas perguntas.”
O Mundo das Células
Agora, imagine uma única célula do nosso coração. Ela é uma das inúmeras células que o formam, mas ela mesma não sabe disso. Dados atuais nos dizem que, em um homem adulto existem cerca de 75 trilhões (75.000.000.000.000) de células! Mais impressionante ainda é que, dentro de cada célula, encontramos todo um mundo: centros de produção, organelas e o núcleo celular. Por exemplo, existem cerca de 500 mil centros de produção em uma única célula, responsáveis pela produção das proteínas, inclusive as enzimas. Lembrando a incrível quantidade de células que temos, não podemos deixar de ficar maravilhados com a complexidade e a potencialidade que somos.
A célula que imaginamos, mergulhada nesse corpo gigantesco, é, em si mesma, um cosmo e, como afirma Gurdjieff: “cada cosmo é um ser animado que vive, respira, pensa, sente, nasce e morre”. Uma célula tem uma existência curta, exceção feita aos neurônios. Para o corpo humano, uma célula é apenas um pequeno ponto não perceptível ao olho humano e, para ela, o corpo humano é como uma noite estrelada: uma imensidão sem nome! Essa relação entre a vida da célula e a vida do corpo é uma boa analogia para compreender outra afirmação de Gurdjieff, de que “a relação de um cosmo a outro é sempre de zero ao infinito”.
Mas o que é absolutamente fantástico no ensinamento que ele nos traz, é que “a ampliação da consciência e a intensificação das funções psíquicas conduzem o homem à esfera da atividade e da vida de dois outros cosmos simultaneamente, um maior e outro menor, um em cima e outro em baixo”. Assim, se sairmos do estado ordinário em que vivemos, ampliando nossa consciência, poderemos começar a pressentir tanto a vida dos cosmos superiores, como a que pulsa dentro do nosso corpo.
Artigo extraído da Revista SER 8 - Leia outros artigos! |
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Data: 6/9/2007 |
A Força do Grupo
(Autor desconhecido, Reescrito por Maria Aparecida De Estefano)
Conta-se que havia um homem que costumava reunir-se regularmente com alguns companheiros a fim de trabalharem, em conjunto, técnicas de meditação, aliadas à compreensão do trabalho interior. Passados alguns anos, entendeu que já sabia o suficiente sobre o assunto e que poderia, assim, realizar um antigo sonho: vagar pelo mundo, usando o conhecimento que assimilara naquele grupo de pessoas.
Passaram-se alguns meses e o homem foi percebendo que sua firme intenção de praticar a meditação na vida cotidiana ia gradualmente arrefecendo. Deixava-se levar pelos acontecimentos exteriores e começava a experimentar novamente aquele sentimento de falta que, certa vez, conduzira-o ao trabalho interior junto aos companheiros.
Certo dia, entrando em uma livraria para tentar encontrar algo que pudesse preenchê-lo, deparou-se com um homem que tinha o mesmo olhar profundo que admirava no líder do grupo do qual participara. Intrigado, começou a lhe fazer algumas perguntas e, em um determinado momento, sentiu-se à vontade para contar-lhe o que lhe sucedera. Bem-humorado, o desconhecido, após ouvir sua história, convidou-o a ir até sua casa, já que fazia bastante frio e lá poderiam conversar melhor. Agradecido, aceitou o convite e, em silêncio, os dois puseram-se a caminho. Chegando lá, sentaram-se diante da lareira e ficaram contemplando a maravilhosa dança do fogo que ali se apresentava.
Após certo tempo, o dono da casa examinou as brasas que se formaram e, cuidadosamente, separou uma delas em um canto da sala. Continuaram ali quietos por mais alguns minutos até que o visitante percebeu que a brasa solitária fora perdendo o brilho até extinguir-se completa-mente, restando dela apenas um pedaço de madeira queimada. O anfitrião, percebendo a direção do olhar do visitante, sorriu levemente e recolocou a brasa fria e inútil no fogo. No mesmo instante, ela recomeçou a aquecer-se e a brilhar até ficar esplendidamente fulgurante, rodeada por todos os carvões ardentes que cintilavam na lareira.
Comovido, o visitante olhou para o anfitrião, agradecendo-lhe, com o olhar, o ensinamento silencioso. Pegou sua mochila e, com o coração esperançoso, voltou ao convívio do grupo. |
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Data: 23/8/2007 |
Economizando nossa Energia - A. R. Orage
(extraído de Psychological Exercises and Essays, A. R. Orage, The Janus Press)
O organismo humano é uma máquina apta a funcionar, e a energia para movimentá-la provém de alimentos, ar e impressões. Comemos os alimentos, respiramos o ar e, por meio de nossos órgãos dos sentidos, recebemos impressões; o dar e tomar entre essas três formas de alimentação cria as várias energias que manifestamos. Elas são de três espécies: física, emocional e mental. É preciso criar, em nós mesmos, os recursos necessários para custear cada um desses modos de dispêndio de energia. Talvez não possamos gastar mais do que a nossa renda nos permite. Não só não podemos fisicamente fazer mais do que o nosso alimento permite como também não podemos sentir e pensar mais do que a nossa renda correspondente possibilita. Ficamos cansados de “pensar”, de tal modo que não pensamos mais; ficamos “cansados” de sentir, então não conseguimos mais sentir – exatamente como ficamos cansados com esforços físicos. O cansaço, em qualquer um desses aspectos, significa a mesma coisa, isto é, que esgotamos nosso estoque de energia. Depois de um sono, alimento ou troca de ar ou de situação, podemos agir, sentir e pensar novamente; mas, naquele momento, estamos esgotados.
Existem, porém, dois graus de fadiga: a imaginária e a real. É muito comum as pessoas pensarem que estão cansadas quando, na verdade, não estão. Se lhes dermos uma nova motivação, surpreendem-se com a energia que descobrem possuir. Esse fenômeno, em termos físicos, é muitas vezes chamado de “segundo fôlego”; é como se houvesse um segundo reservatório de energia que entra em uso somente quando o primeiro está esgotado. O mesmo fenômeno pode ocorrer no caso do sentimento e do pensamento – só que normalmente desistimos após o término do “primeiro fôlego”.
Mas podemos, por assim dizer, trabalhar, passado o primeiro cansaço, para obter um segundo fôlego ou reservatório.
O cansaço real, distinto do primeiro simples cansaço, ocorre quando o segundo ou, talvez, o terceiro reservatório está exaurido. Então, o descanso e a recuperação são necessários ou a máquina sucumbirá. Nossa máquina é construída de tal forma que praticamente todos os dias criamos dentro de nós mesmos uma superabundância das três espécies de energia. Não gastamos mais do que uma pequena parte de nossa renda. No entanto, ela é consumida; e vamos dormir cansados, esgotados. Por que acontece isso?
A máquina humana pode ser comparada a uma casa de três andares, e cada andar é destinado a um tipo particular de trabalho. No andar térreo levamos nossa vida física; no segundo andar, nossa vida emocional; e no andar de cima, nossa vida intelectual.
Ora, quando estamos trabalhando em um dos três andares, não é necessário que os outros trabalhem também. Não acendemos as luzes da casa inteira quando apenas um andar está em uso, pois seria um desperdício de eletricidade. Da mesma forma, não deveríamos gastar energia nos três andares do nosso organismo quando, na verdade, só um deles está sendo utilizado. Por exemplo: se estamos pensando, não é necessário que o corpo também despenda energia; ou, se estamos trabalhando fisicamente, não é necessário que a mente divague e desperdice energia não fazendo absolutamente nada. Devemos aprender a guardar nossas energias em cada andar conforme a nossa vontade; dessa forma, a máquina não estará funcionando quando não estivermos naquele lugar para administrá-la.
Toda ação “inconsciente” desperdiça energia; somente a ação consciente a economiza. O primeiro princípio de economia é, pois, ocuparmo-nos de forma consciente e voluntária, não permitindo que nenhuma atividade escape a nossa atenção ou consuma a própria energia. As três fontes principais de perda energética correspondem aos três andares de nosso organismo; e podem ser definidas como perda por esforço muscular inconsciente, perda por divagação mental e perda por preocupação.
Examine o estado de seus músculos neste instante. Observe que, com toda probabilidade, você está sentado, fazendo um esforço muscular desnecessário. Suas pernas estão retesadas, os músculos do seu pescoço estão tensos, seus braços não estão soltos. Tudo isso significa que você está com as luzes acesas nos aposentos do seu primeiro andar, embora, de fato, não precise delas; e o medidor registra a saída inútil de sua energia. A solução é relaxar o corpo quando não está sendo utilizado. Sempre que não estiver fazendo uso dele, deixe-o solto. Por um hábito arraigado, o corpo não relaxa por iniciativa própria, mas pode ser treinado para isso. A economia de energia resultante do relaxamento é enorme.
Pensar sem um propósito definido significa deixar as luzes acesas no andar de cima quando, na verdade, são desnecessárias. Mas todos fazem isso. Observe seus companheiros de viagem num ônibus ou num trem. Eles não estão empenhados em trabalhar em um determinado problema. Sua mente está apenas recapitulando os incidentes do dia, do dia anterior ou do ano passado. Não estão tentando chegar a nenhuma conclusão; na verdade, não estão pensando.
Mas o mecanismo dessas pessoas está trabalhando por associação de idéias e, como remói memórias e imagens fortuitas, consome energia. E quando, mais tarde, queremos realmente pensar, e usar o intelecto com um propósito determinado, percebemos que nosso suprimento diário de energia está esgotado. O remédio é nunca pensar sem alguma finalidade. Quando flagrar sua mente pensando por si mesma – fantasiando, divagando, mergulhada em sonhos, perdida em memórias –, faça-a pensar voluntariamente. Fale a tabuada de multiplicar do fim para o começo, ou repita uma poesia para si mesmo. Invente uma carta ou um discurso. Planeje claramente o trabalho do dia seguinte. Relembre com precisão os acontecimentos do dia. Faça qualquer coisa que tenha a intenção de fazer, mas não deixe sua mente dispersa. O esforço para fazê-la trabalhar pode parecer exaustivo, mas, na verdade, é refrescante. Ele usa o sangue, enquanto o pensamento inconsciente e descontrolado está simplesmente sangrando até o esgotamento.
Preocupação, ou sentimento involuntário, é a terceira
causa de nosso cansaço, e é ainda mais comum que o desperdício do pensar e do corpo. Como disse Shelley: “olhamos para o antes e o depois e suspiramos pelo que não é”. A respeito dos eventos de ontem ou de amanhã, não somente é absurdo permitir-nos sentir algo, uma vez que não estão presentes, existindo apenas na memória ou na imaginação, como esse hábito rouba-nos a energia necessária para sentirmos hoje. Chamamos de sentimentalistas os que vivem em sentimentos ou acontecimentos do passado ou do futuro. As luzes do seu segundo andar estão sempre acesas. Ao mesmo tempo, é notório que os sentimentalistas não sentem intensamente as situações presentes no momento em que ocorrem; com eles, é a coisa boa de ontem, a coisa boa de amanhã, mas nunca a coisa boa de hoje.
A solução consiste em concentrar a atenção na pessoa ou situação presente naquele momento. Aqui, bem à nossa frente, e não na imaginação ou na memória, está a coisa a ser sentida, compartilhada ou amparada. Deixe o ontem e o amanhã cuidarem de si mesmos. Os que praticarem esses três métodos brevemente se perceberão com mais energia do que hoje sabem utilizar. Será difícil cansarem-se.
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