Grupo Gurdjieff São Paulo

Ciência de Viver


I - A Atitude de Apreciação

A sabedoria antiga nos trouxe esta preciosidade em termos de ensinamento:

“O dia de hoje jamais voltará. Cada momento é uma jóia preciosa”.

Como, durante nossa vida, os dias vão-se sucedendo uns aos outros, ficamos com a falsa impressão de que eles são inesgotáveis. E como sempre acontece quando temos grande quantidade de alguma coisa, impreterivelmente, desvalorizamos essa coisa.

É por isso que não vemos cada dia, cada minuto de nossa vida, como um privilégio maravilhoso. Estar vivo é maravilhoso! Poder andar, respirar, comer, beber, trabalhar, fazer amor é maravilhoso!

No entanto, não percebemos o quanto isso é valioso, pois ficamos à espera da chegada de um dia especial, de uma ocasião especial, de uma festa extraordinária, de um evento sensacional. E dizemos a nós mesmos: “quando isso acontecer, aí sim eu vou viver, vou-me divertir, vou-me sentir pulsando”.

Pode ser que esses dias cheguem, mas pode ser que não. Muitas vezes, quando chegam, nos deixam a estranha sensação de não termos conseguido aproveitá-los.

Mas podemos mudar de atitude, desenvolvendo a apreciação pelo simples fato de estarmos vivos. Ser apreciador da vida é ser agradecido! É reconhecer no fato de estar vivo um grande presente. É sentir prazer em poder participar do mar, das montanhas, do céu, das florestas, do ar, do sol.

O maior de todos os luxos é estar vivo!

“Todo luxo deve ser pago, e tudo é um luxo, começando com estar no mundo”.
Cesare Pavese

II - A Atitude de Renovação

É sempre possível renovar-se! É interessante ver que a renovação nos traz uma sensação agradável, estimulante, pois nos faz sentir que estamos mais vivos.

Se descobrirmos que estamos lidando com certas situações de maneira automática, repetitiva, por meio de concepções rígidas, podemos procurar vê-las claramente, jogando o máximo de luz sobre elas.

Em geral, quando fazemos isso, acabamos nos deparando com formas de pensar e de sentir que, com o passar do tempo, se impuseram a nós mesmos, sem que as tivéssemos percebido ou autorizado. Foram pensamentos e emoções que se transformaram em tiranos impositivos, roubando nossa independência e bloqueando nossa capacidade inata de nos reinventarmos constantemente.

A vida de cada um de nós não pode ser uma estrada de ferro que impõe, obrigatoriamente, um único destino aos trens que nela trafegam. Temos escolhas possíveis que podem nos levar a caminhos que nos exibem novas paisagens, novas perspectivas.

Mas, para isso, é indispensável nos examinarmos com freqüência, para termos a certeza confiante de que é possível mudar pensamentos e emoções, que esse poder faz parte de todo ser humano.

“Mesmo que as coisas não mudem, a visão que temos delas pode mudar”.


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL
CONVITE

Todas as segundas-feiras, das 18h45 às 19h30, o Grupo Gurdjieff São Paulo oferece um ciclo de estudos sobre atitudes, que conjuga exposição de idéias sobre esse importante tema com práticas de Meditação. A entrada é gratuita.

Falar com Osvaldo no telefone 3864-1670, de segunda a sexta-feira, das 9h30 ao meio-dia.


Data: 19/5/2008

Ciência de Viver


I - A Atitude do Guerreiro

Ser guerreiro é o destino de todo ser humano. Talvez, a maioria das pessoas não perceba isso claramente, preferindo acreditar que guerreiros são os que se destacam de uma forma ou de outra nos diferentes campos de atividades, chamando sobre si os holofotes da mídia.

Para comprovar a afirmação inicial, examinaremos de perto a situação dos seres humanos. Nascemos em um mundo onde temos de aprender a conhecer e a decifrar leis, costumes e maneirismos. Depois, temos de encontrar caminhos que possibilitem a nossa sobrevivência. Para isso, precisamos enfrentar todo tipo de dificuldade, inclusive a de travar muitos embates com os nossos semelhantes.

Na verdade, no dia-a-dia, somos obrigados a duelar com pessoas que nos rodeiam. Só isso já faria de qualquer ser humano um verdadeiro guerreiro. Não estou me referindo, pois, ao guerreiro que aparece no cinema, sempre bonitinho, bem arrumado, certinho, fazendo gestos espetaculares. A maioria dos seres humanos está mais próxima de um guerreiro do exército Brancaleone, isto é, de um guerreiro desajeitado, esfarrapado, vencendo, algumas vezes, meio sem querer, ou dando vexames. Somos, pois, guerreiros do tipo Chapolin Colorado: um tanto cômicos, mas guerreiros.

Ser um verdadeiro guerreiro é não desistir nunca; é morrer de vergonha pela vergonha feita, mas continuar lutando, apesar de tudo; é saber que herói é aquele que cai no chão, suja-se, mas torna a se levantar; é pressentir que o que dignifica o ser humano é o empenho, o esforço, a dedicação inabalável a tornar-se um ser de melhor qualidade; é buscar sempre o sentimento de respeito por si mesmo ao sentir-se, de fato, humano.

“Temos, durante a vida, talvez uma ou duas oportunidades de sermos heróis,
mas temos, todos os dias, a oportunidade de não sermos covardes”.
Autor desconhecido

II - A Atitude do Guerreiro

Enfrentamos, externamente, no dia-a-dia, os dragões das dificuldades, juntamente com as bruxas e os feiticeiros que surgem à nossa frente. No entanto, essa é apenas a metade da história do guerreiro que tem, obrigatoriamente, outro campo de batalha: o interno.

Assim cada um de nós tem, dentro de si, grandes inimigos e o guerreiro é aquele que luta, constantemente, para vencer suas características pessoais negativas. É fácil nomear alguns desses tremendos inimigos. São eles: a raiva, o ódio, a depressão, o desânimo, a pretensão, o sentimento de inferioridade, a crença de que não somos capazes e assim por diante, promovendo um verdadeiro desfile de horrores.

Esses adversários internos são mais terríveis que os externos, porque são invisíveis, verdadeiros ninjas que nos atacam na escuridão do subconsciente. Por isso, o guerreiro tem de aprender a jogar luz no seu subconsciente. Só assim poderá enxergar e enfrentar os opositores que o agridem dentro de sua própria casa.

Mas nisto está a grandeza de ser humano: não nascemos prontos, ainda não estamos acabados. Se a natureza faz de um leão, um leão, ao ser humano ela dá apenas o ponto de partida para a maior aventura deste planeta: a de nos tornarmos humanos de fato, isto é, verdadeiros guerreiros durante toda a nossa vida na Terra.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL

Data: 19/4/2008

Ciência de Viver


I - O que é adaptação?

Adaptar-se é ser capaz de harmonizar-se, de aclimatar-se, de ajustar-se. Todos os seres humanos possuem essa incrível capacidade, por isso sobrevivemos tanto no deserto como nos pólos.

Esse poder extraordinário é exclusivo do ser humano, pois não está ao alcance das outras espécies. O homem pôde desenvolver-se e sair de sua barbárie primitiva em virtude de seu poder de lutar contra as adversidades e de adaptar-se aos perigos advindos das contínuas mudanças do meio ambiente.

Na história da humanidade, sempre que a flexibilidade cedeu lugar a estruturas rígidas, a deterioração e a morte foram sua conseqüência inevitável. Portanto, a capacidade de permanecermos flexíveis, de nos adaptarmos constantemente, é a nossa melhor defesa contra a presença inexorável dos perigos de todo tipo que nos rodeiam.

Esse poder de adaptação é, na verdade, um fluxo de criatividade e não apenas um ajuste mais ou menos mecânico às circunstâncias que nos envolvem. Fomos, sim, abençoados com o dom de um misterioso fluir criativo que, de alguma forma, faz parte da constituição intrínseca da espécie humana. Por isso, quando estivermos cercados pelos ataques da vida é preciso não nos esquecer jamais dessa corrente de criatividade que é nosso apanágio e que está sempre disponível à espera de ser reconhecida e utilizada.

Em linguagem religiosa, poderíamos dizer, sem possibilidade de erro, que o fluxo criativo, que possibilitou a sobrevivência de nossa espécie até os dias de hoje, tem origem divina.

“É melhor fracassar na originalidade do que ter sucesso na imitação”.
Herman Melville

II - Livrando-se de conceitos

Somos nossas concepções, isto é, as idéias que habitam o nosso mental, pois são elas que dirigem o nosso olhar, as nossas emoções e as nossas ações.

E isso engloba dois tipos de problemas: o primeiro é que a grande maioria das pessoas não tem consciência dele e não se dá conta disso! Elas pensam que decidem tudo e agem por livre e espontânea vontade, quando, na verdade, estão sendo monitoradas por seus conceitos mentais.

Assim o fundamentalista religioso, o político radical ou qualquer pessoa que aja de forma extremada chega a esse ponto devido aos seus conteúdos mentais. Em nossa vida cotidiana, vamos ou deixamos de ir, fazemos ou deixamos de fazer a partir desses conteúdos. E não enxergamos isso, o que é trágico e cômico ao mesmo tempo.

O segundo problema é que, mesmo após termos tomado consciência desse fato, o que já é uma coisa restrita a muito poucos privilegiados, levamos um bom tempo para perceber que podemos livrar-nos de muitos conceitos, digamos, inadequados. Sugerimos aqui, então, um processo duplo: primeiramente é preciso tomar consciência dos nossos conceitos; em segundo lugar é preciso desejar livrar-se deles.

Se formos atraídos por essa possibilidade, viveremos uma vida sentindo-nos cada dia mais livres e amplos.

“Algumas pessoas acreditarão em qualquer coisa que você lhes sussurrar”.
Anônimo


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL

Data: 20/3/2008

Ciência de Viver


I - A atitude justa para quem detém o poder

Há um antigo ditado grego que afirma: “Quando alguém se torna poderoso, torna-se insolente e passa a cometer excessos. Dessa forma, ofende os deuses que começam a puni-lo”.

Seja como for, a experiência da vida comprova essa crença vinda da antiguidade: qualquer tipo de poder tende a nos tornar arrogantes, pois nos faz sentir superiores aos outros.

Poder, nesse caso, não se refere apenas a um grande poder, como o de um milionário, de um grande chefe ou de uma figura política. Mesmo pequenos poderes, como o de um chefe de família, de um micro empresário ou outro tipo qualquer de chefia, tem o mesmo efeito, porque inebria.

Existem ainda outras formas de poder como, por exemplo, o poder da beleza, do prestígio e da fama. Então, é muito possível que você tenha algum tipo de poder ou que o adquira em algum momento. Nesse caso, saiba compreender o que os antigos gregos nos transmitiram. Isso irá ajudá-lo a levar uma vida mais justa, mais agradável, pois irá integrá-lo melhor aos seus semelhantes.

Se conseguirmos manter uma atitude leve, despretensiosa, mesmo sendo poderosos, certamente os deuses nos olharão com simpatia e, talvez, em vez de nos punir, poderão até mesmo nos enviar algum mimo.

Vale a pena tentar! E como o humor pode sempre nos ajudar, lembre-se:

“Não leve a vida muito a sério! Você nunca sairá dela vivo”.
Elbert Hubbard

II - Atitudes diante das circunstâncias

É evidente que existem circunstâncias boas e más, agradáveis e desagradáveis, favoráveis e desfavoráveis. Mas, por mais complicadas que sejam, são apenas circunstâncias, ou seja, como a própria palavra indica, coisas exteriores a nós. E tudo que é exterior, por mais forte que possa parecer, não é fundamental, pois o fundamental é o que temos por dentro, como somos interiormente. Os trezentos espartanos, mesmo ao custo de suas vidas, salvaram seu povo de um exército imensamente maior e, com isso, mudaram, provavelmente para melhor, o curso da história.

Em toda atividade humana, surgirão sempre muitas intervenções desfavoráveis, isso é certo. No entanto, dar a elas uma importância excessiva, faz com que o peso que carregam aumente desproporcionalmente, conferindo-lhes o poder de se multiplicar.

Mas se dentro de nós mesmos, permanecermos firmes e confiantes, cheios de uma persistência calorosa e de uma força de vontade inabalável, essa forças adversas perderão, pouco a pouco, a confiança que tinham e irão enfraquecer-se até saírem completamente de nosso caminho.

“Se você realmente dá pouco valor a si mesmo, fique certo
de que o mundo não aumentará a sua valia”.
Anônimo


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL

Data: 19/2/2008

Ciência de Viver


I - A atitude justa para lidar com os outros

Lidar com os outros é uma atividade muito delicada, pois todo ser humano é sensível às expressões alheias, sejam elas faciais, gestuais ou verbais. Se não compreendermos isso, estaremos criando problemas, sem percebê-lo.

Há maneiras de falar e de agir que, mesmo involuntariamente, ofendem e causam vários tipos de desentendimento. É claro que o inverso também é verdadeiro, pois há modos de expressão que são tranqüilos ─ sem, todavia, deixarem de ser firmes ─ e conciliadores ─ sem, todavia, serem servis ─, e que cativam todos os que não estão de má vontade.

Este capítulo do grande tema que são as Atitudes é de extrema importância, pois a impressão que causamos nas outras pessoas determina a maneira pela qual elas se relacionam conosco, isto é, como definem a sua boa ou má disposição em relação à nossa pessoa.

Vamos, então, listar aqui algumas medidas práticas para não passarmos impressões erradas aos outros:

1º - Pratique a arte de ver-se de fora. Sim, essa é uma arte que pode ser aprendida! Para isso, devemos desenvolver um olhar como se estivéssemos fora de nós mesmos, nos observando, percebendo jeitos e maneirismos que nos são próprios. Em geral, não os enxergamos por estarmos habituados a eles.

2º - Dirija esse olhar para dentro de si mesmo e perceba o que está pensando e sentindo em um dado momento. É certo que tudo que está em nosso mental e em nosso emocional irá manifestar-se, tenhamos ou não consciência disso. Por isso, é preferível conhecer os nossos conteúdos a ignorá-los.

3º - Criticar uma pessoa significa estar contra ela. Estar emocionalmente fechado para alguém é estar contra esse alguém. Estar com os músculos tensos diante de alguém é colocar uma barreira entre você e esse alguém. As pessoas ao seu redor, consciente ou inconscientemente detectam tudo. Por isso, perceba como você está!

Se praticar as atitudes aqui sugeridas e ainda assim passar uma impressão desagradável para certa pessoa, é porque, por alguma razão, você resolveu fazê-lo de forma deliberada, consciente.

Perceber o efeito que se causa em outras pessoas é uma forma de se conhecer melhor.

II - A atitude expressiva

A maioria das pessoas tem, freqüentemente, uma enorme dificuldade para expressar o que de fato está pensando ou sentindo. Durante o processo de educação, nos foram inculcados muitos “não diga isto”, “não faça aquilo”, “isto é legal”, “o que vão pensar de você” e outras coisas mais. Por causa disso, desaprendemos a ouvir o que realmente é dito dentro de nós mesmos, e quando nos manifestamos, passamos a ouvir apenas a voz da conveniência e do medo de cometer algum erro.

Por conseguinte, bloqueamos nossos sentimentos, nossas reais necessidades, nossos anseios e nossas dúvidas. Dessa forma, morremos em vida, pois formamos, dentro de nós mesmos, um casulo que nos asfixia, não permitindo que nada de simples e genuíno saia daí de dentro.

Etimologicamente a palavra “expressar” significa “pôr para fora”, “empurrar para fora” ou “demonstrar”. Portanto, a necessidade de expressão é inerente ao ser humano, e nunca nos sentiremos completos e felizes se não abrirmos as avenidas de expressão, que nos permitirão administrar melhor a pressão exercida por nossas energias internas.

Oferecemos aqui algumas práticas para que você possa desenvolver uma atitude expressiva:

• Quando, por qualquer motivo, você sofrer uma pressão interna, pegue lápis e papel e escreva tudo o que quiser colocar para fora. Advertimos que não é conveniente usar o computador para esse fim. Com essa prática você sentirá certo alívio, pois verá que suas idéias ficarão mais claras, dando-lhe uma dimensão exata do que o aflige. Talvez lhe traga ainda uma ou duas boas idéias para lidar melhor com os acontecimentos.

No próximo mês iremos sugerir outra possibilidade de expressão.

Expressar-se esclarece e fortifica!


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL