A ação e a contemplação se harmonizam na Arte de Viver (ilustrações da tradição chinesa)

A arte de viver
Paulo A. S. Raful

É sem dúvida a mais importante das Artes, que todos precisamos estudar sempre. Nesta seção, procuraremos adaptar, para benefício de nossos leitores, ensinamentos tradicionais de várias procedências, dividindo-os em temas.

AGITAÇÃO

A agitação, que leva as pessoas a estar sempre correndo de um lado para o outro, é péssima. A melhor prova de um espírito equilibrado é saber tranqüilizar-se.

Quando tentamos estar em muitos lugares, “em todas”, como se diz, não estamos em lugar algum.

É o caso daqueles que passam a vida viajando: têm muitos conhecidos, mas, talvez, nenhum amigo de verdade.

Neste sentido, podemos dizer que, apesar de ser boa em princípio, a abundância corre o risco de levar-nos à dispersão.

EXPECTATIVAS

Ter expectativas é normal e inevitável. Elas são parte integrante da vida humana, constituindo, na verdade, o motor que nos faz andar.

Entretanto, é preciso perceber que a expectativa é também a mãe do medo e da preocupação. É por causa dela que esperamos o futuro com angústia. Em vez de nos adaptarmos ao presente, projetamos nossos pensamentos em um futuro distante. Os animais fogem dos perigos que os ameaçam e, assim que escapam, esquecem-se deles. Nós, ao contrário, nos torturamos com o futuro e com o passado. Dessa forma, sofremos repetidamente o passado e atormentamo-nos com o futuro muitas vezes, antes que ele chegue.

Nenhum de nós sofre só no presente.

A pergunta que fica é: como ter expectativas sem acompanhá-las de medo e preocupações ou, pelo menos, como tê-las em grau reduzido?

A VIDA É LUTA

O lutador que jamais apanhou na academia é incapaz de ir corajosamente para o combate real.

É preciso ter sofrido a dor de golpes duros no treinamento, ter sido derrubado muitas vezes, mas sempre se levantando de novo com o coração forte e inabalável.

Da mesma forma, os golpes da vida atingiram-no muitas vezes, mas você jamais se rendeu, suportou as dores, levantou-se de novo e enfrentou-os cada vez com maior energia.

Então, você descobriu que há mais coisas que nos amedrontam do que aquilo que de fato nos faz mal, e que freqüentemente sofremos mais com o “dizem que” do que com a situação em si.