![]() O Santo guerreiro lutando contra o dragão das emoções negativas. (São Miguel e o Dragão, pintura de Rafael c. 1505, Museu do Louvre) |
DIÁLOGOS COM UM HOMEM DE ATENÇÃO
Questões sobre as emoções negativas SER: Qual é o papel das emoções negativas junto aos seres humanos? Lauro: Os seres humanos estão na terra para se ajudarem mutuamente; já as emoções negativas existem para destruí-los. SER: Por que “perdemos a cabeça” quando somos tomados por emoções negativas? Lauro: Porque as emoções negativas atacam a razão, seqüestrando-a. |
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SER: Você falou que elas existem para nos destruir. Explique como isso acontece. Lauro: As emoções negativas, como o ódio, a raiva, o ciúme e a inveja, têm um poder incalculável de destruição. São a mãe de todas as guerras, o inferno aqui mesmo na terra. G.I.Gurdjieff mostra-nos a necessidade e a possibilidade de lhes resistirmos: devemos mantê-las sob nossas rédeas, assim como o cocheiro mantém, sob as suas, o cavalo que puxa a carruagem. Ele ensina ainda que é possível, subseqüentemente, transmutar a energia dessas emoções em forças construtivas que nos beneficiarão, assim como a todos os que nos rodeiam. SER: Elas nos são impostas pelas circunstâncias exteriores? Lauro: Se as emoções negativas nos fossem impostas pelas circunstâncias exteriores, jamais poderíamos vencê-las. Os reflexos involuntários contra a dor física são naturais e inevitáveis; as emoções negativas não o são. Podemos enfrentálas, iluminando-as com a nossa inteligência. Portanto, elas são vícios do nosso psiquismo e não componentes próprios da natureza humana. SER: Qual é o processo de formação de uma emoção negativa? Lauro: Se uma situação nos choca, produz um reflexo natural que ainda não é emoção negativa, mas apenas a reação fisiológica que a precede. Ter uma emoção negativa não é ser tocado por uma percepção; é entregar-se a ela, prolongando o choque, cristalizando-o. SER: Explique isso um pouco melhor. Lauro: A perturbação inicial que um choque nos causa ainda não é emoção negativa. Esta nasce quando aderimos à perturbação, alimentando-a e sustentando-a. Desse modo, não podemos impedir a primeira reação mental, pois aparece como um reflexo instintivo. Já o segundo movimento desse processo deve-se a nossos pensamentos subjetivos que dão origem à emoção negativa. Ora, assim como um julgamento a produz, pode ajudar a transformá-la. SER: Por que é tão difícil corrigirmos os erros que cometemos? Lauro: Em seu início, todas as coisas ainda estão sob nosso poder; conforme vão se desenvolvendo, arrastam-nos em seu dinamismo natural, tornando quase impossível corrigirmos erros. SER: Por que nos encolerizamos tão facilmente? Lauro: Sem dúvida, a cólera é disparada pela percepção de uma ofensa ou de uma contradição, mas sem a ajuda do nosso mental ela não prossegue. Na verdade, não ousa agir sozinha; ela tem o aval e o apoio do mental. SER: Por que é tão difícil mostrar a verdade para as pessoas irascíveis? Lauro: A irascibilidade tem o defeito de não ceder; se a verdade for contra ela, destruirá a verdade. SER: Como não me encolerizar diante de alguém que me fez mal? Lauro: Se não quiser encolerizar-se contra alguém, deve perdoá-lo e estender o seu perdão a todo o gênero humano. SER: Devemos banir de nossa vida quem nos fez mal? Lauro: Quem busca a compreensão não deveria nem se encolerizar nem se entristecer com quem pratica o mal, pois sabe que ninguém nasce sábio. Dessa forma, pode tornar-se sábio, embora, em muitos séculos, muito poucos atingiram esse estado. SER: Como fazer frente às agressões que sofremos todos os dias? Lauro: O ser humano de atenção busca a calma e a equanimidade diante das agressões e desgostos que sofre. Torna-se crítico do culpado, mas não seu inimigo. Todos os dias, ao despertar, diz a si próprio: “Hoje, vou encontrar pessoas bêbadas, debochadas, agressivas, raivosas, ciumentas, invejosas, |
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