Grupo Gurdjieff São Paulo
Falando de Amor

I

Na vida, a comunicação é indispensável, mas no Amor ela é tudo. Amor é comunicação e comunicação é Amor.

Essa afirmação nos coloca diante de uma grande questão: Será que no envolvimento entre um homem e uma mulher existe comunicação verdadeira? Existe a comunicação real de coração com coração, de sentimento com sentimento, de inteligência com inteligência?

Um dos maiores problemas do encontro amoroso está na possibilidade de compartilhar com o outro, de se abrir, de se entregar confiantemente, de sentir-se ouvido (a) e acolhido (a), quando quiser se expressar.

Mas será que, em vez disso, não existem apenas cobranças de todo tipo? Será que não nos escondemos atrás de uma pseudo-esperteza, demonstrando apenas aquilo que ele ou ela querem ouvir em vez de demonstrar aquilo que realmente sentimos ou pensamos? Será que, no fundo, o que demonstramos não é um esforço desajeitado para corresponder à imagem que o outro quer ter de nós?

A comunicação entre pessoas se dá através de um tênue verniz de convenções e conveniências, de uma superficialidade igual aos cenários de cinema, e muito provavelmente isso é inevitável na vida social. No entanto, na vida amorosa essa superficialidade é fatal, pois cedo ou tarde, seremos punidos por ela.
II

O Amor procura a beleza, pois é ávido dela. Mas há diversas formas de beleza que vão além da beleza física, da harmonia de traços. O Amor é um artista muito fino, capaz de ver a beleza na forma de falar, de mover-se, de sorrir, de sentar-se, de andar, de pensar, de sentir, na sutileza de um bom coração ou de uma boa ação.

O Amor, em sua avidez, procura sempre novas formas de beleza e acaba encontrando-as. Vamos procurar ser belos de muitas formas e o Amor nos encontrará.
III

O Amor nos ensina a servir aos outros, porque o caminho do amor é servir. Ele é como a flor perfumada que doa naturalmente sua fragrância a todos que se aproximam dela.

Isso pode parecer utópico, mas não o é. Servir por amor torna nossa vida alegre, motivada, leve, divertida. Além disso, nos faz retomar o prazer de estarmos vivos. Também nos torna mais inteligentes e capazes em todos os campos de atividade da vida, inclusive, pasmem vocês, nos negócios. Servir por amor nos dá asas para voar!

“O Amor não vê com os olhos, vê com o espírito”.
William Shakespeare


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 17/8/2008

I

Já diziam os antigos que existem duas Vênus: uma celeste e outra terrestre. Cada uma delas vem acompanhada de um Cupido, ou, como diz a tradição grega, de um Eros.

Na verdade, o Amor, muitas vezes representado por essa deusa, tem também duas faces. Uma delas é voltada para o sublime, para o encantamento, para o maravilhoso. Essa face nos amplia, engrandece e nos faz intuir o milagroso. A outra, mais tangível, se apaixona pelas formas, pela beleza física que toca os órgãos dos sentidos. Essa outra é um reflexo da primeira, mas é mais concreta, voltada para a vida do dia-a-dia. Nesse caso, essa Vênus e seu Cupido querem aquilo que é possível tocar e sentir.

Acontece que, muitas vezes, esse Cupido terrestre degenera em paixão desenfreada, possessiva, tirânica. Podemos ver isso todos os dias, com conseqüências que vão do lamentável ao trágico.

Não é difícil, pois, percebermos qual é a direção ideal a seguir: é fazer com que essa duas faces de Vênus com seus dois Cupidos andem de mãos dadas. Uma delas ficará encantada com todas as possibilidades que o mundo oferece; a outra, ligada à imensidão, trará um pouco do céu para que as coisas terrestres não se transformem em mesquinharia banal.

II

Já dizia Orfeu que o Amor é um amargo doce. É doce, por todo o encantamento que nos proporciona; é amargo, porque implica um tipo de morte. Isso porque, todos que amam morrem um pouco, pois se esquecem de si mesmos na medida em que focam toda a atenção na pessoa amada. Se o outro também tem o mesmo foco em relação ao amante, ele renasce, abrindo os olhos para outro patamar de sentimento. Passa a ver a vida com outras cores, com novos matizes, que estão fora do alcance dos que não sofreram a morte do Amor.

III

Por falar nos antigos, podemos dizer que existe o Amor-Marte e o Amor-Eros. O Amor-Marte é agressivo, dominador, tirânico, por isso, procura impor-se por todos os meios imagináveis, deflagrando uma guerra interminável, sem trégua, dolorosa. Já o Amor-Eros tem olhos de um apreciador encantado, um olhar que constrói, faz florescer, estimula, abre horizontes insuspeitos.

Um deles tange constantemente a morte. O outro é a própria vida.

“ Você pode doar sem amar, mas jamais poderá amar sem doar. ”.
Paulo e Lauro Raful


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 18/7/2008

I

Nem todo amor é igual. Em geral, o que chamamos amor é uma projeção do nosso egocentrismo que quer, de todo jeito, possuir e consumir a pessoa amada. Nesse caso, o amor é um fogo devastador, ciumento, devorador.

Mas o Amor, sem deixar de ser uma chama viva e poderosa, pode ter uma qualidade muito diferente: pode ser finamente doce, terno, fiel, doador, pronto para o auto-sacrifício.

Essa forma de Amor eleva o ser humano a um patamar superior ao que comumente conhecemos. É um Amor que estabelece um contato de Alma para Alma.

II

O Amor é o grande descobridor da beleza. Quando esse sentimento nos toca, abre nossos sentidos, fazendo-nos ver, ouvir e sentir o que nunca antes percebêramos.

Essa abertura reconcilia-nos com a vida, com o simples fato de estarmos vivos, respirando. Tudo passa a ter brilho, graça e estética.

Viver sem o toque generoso das mãos do Amor é de uma enorme pobreza!

III

O estado amoroso é diferente do estado passional, pois deseja, antes de tudo, a felicidade da pessoa amada. Já o estado passional exige a submissão do outro às nossas exigências.

Devido à generosidade típica do estado amoroso, ele se torna libertador, pois nos transforma em seres humanos leves, ágeis e felizes.

Já o estado passional nos torna carrancudos, preocupados, aflitos e temerosos, e, por isso, nos joga em um verdadeiro inferno sem saída.

Feliz é o ser humano que sabe distinguir esses dois estados, sendo capaz de procurar sempre o primeiro deles, rejeitando o segundo.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 18/6/2008

I

Quando nos sentimos enamorados, oscilamos entre o sofrimento e a alegria.

Sofremos porque, diante do mistério do Amor, percebemos melhor nossas limitações, nossa pequenez nunca confessada. Entrevemos, com alguma clareza, que estamos desperdiçando nossa vida através de insignificâncias, em vez de buscarmos a única coisa realmente digna de um ser humano: a nossa identidade real, profunda, independente dos condicionamentos sociais.

Por outro lado, nos alegramos porque o Amor nos torna um ser humano melhor, uma vez que permite, a cada um de nós, pressentir outro “eu mesmo”, muito mais real, mais generoso e mais potente. Nós nos alegramos porque o Amor nos inflama com um fogo vindo de outra dimensão.

II

O mesmo Amor que nos torna tímidos e encolhidos pode nos tornar audaciosos e cheios de coragem. O Amor torna inteligentes, como jamais o foram, homens estúpidos. É esse o poder transformador de Eros, um deus eminentemente dinâmico, que jamais aceita que paremos, preguiçosamente, no caminho de nossa vida.

III

Dar é receber! Doar é uma das mais agradáveis emoções da vida. Quando doamos, nos sentimos maiores, mais amplos. E isso abre portas para que possamos receber.

Doar é, na verdade, uma forma de receber, pois produz, dentro de nós mesmos, um fluir de sentimentos que nos renova, nos reconstitui. Além disso, quando somos generosos, acabamos por reconhecer qualidades, em nós mesmos, que antes desconhecíamos.

Quando permitimos que a generosidade manifeste-se a partir do nosso âmago, descobrimos surpresos que existem recursos quase ilimitados dentro de cada ser humano.

E não se esqueça: generosidade é Amor!

“Pessoas amadas são pessoas amorosas”.

Ann Landers


PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL